Dou uma olhadinha no relógio: 02:30 da tarde, calor insuportável!
Metrô quase cheio, dou sorte de estar sentada, - próxima estação: Tiradentes.
Na minha direita: uma idosa, deve ter uns 75 anos, me admira sua capacidade de conseguir sair sozinha de casa.
Na minha frente: um casal de namorados, pelo que eu pude perceber: muito apaixonados.
Atrás de mim: duas mulheres de meia idade, se quer pude ver o rosto delas.
À minha esquerda: à janela, nela vejo um pouco de tudo, vejo: casas; prédios; pessoas; carros; muros altos e toda a sordidez da cidade.
Algumas coisas me alegram, outras nem tanto, não consigo me concentrar nos meus pensamentos por conta do calor.
Tiro da bolsa que sempre carrego comigo, uma garrafa de água, nem está mais gelada, mas mata a sede que eu sentia.
Ainda faltam algumas estações, aproveito um pouco mais o sortilégio de estar na janela.
Ah, finalmente consegui me concentrar nos meus pensamentos.
Claro! Você está neles, isso não poderia ser diferente... eu sinto minha boca se entortando, você é cada vez mais nítido, quando olho pro lado, a tal velhinha está me olhando com olhos arregalados, ai então percebo que eu estava com um sorriso de orelha a orelha.
É sempre assim que fico quando estou com você.
Ignoro os olhares e continuo sonhando acordada.
De repente ouço: - próxima estação: Tucuruvi.
Pulo do banco, é minha estação, dou uma olhada a minha volta, e não vejo mais ninguém, das quais eu havia citado.
Saio do metrô, compro uns pães de queijo, como faço de costume, e quando estou indo pro ponto te encontro, você me faz um convite, e eu aceito, e então vamos embora.
Eu não preciso terminar detalhadamente o fim disso, deixe que sua imaginação faça isso por você.